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No meu reino

Episódios de uma família como tantas outras

No meu reino

Episódios de uma família como tantas outras

Ter ou não ter um segundo filho...eis a questão!

 

Muitas dúvidas assaltam um casal quando ponderam aumentar a família, principalmente num momento de crise como aquele que vivemos. Cá no reino também nos questionamos se seria sensato dar um irmão ao nosso filho. Tinhamos (e temos) muitas questões, que, acredito, sejam comuns a muitos pais, e que partilho em seguida:

 

1ª Teremos condições financeiras para ter outro filho? Quem já teve um filho sabe que um bebé acarreta muitas despesas. São os colégios, as fraldas, os cremes, as consultas, o carrinho, a caminha, a cadeira de refeição, as vacinas, as roupas, as atividades, etc. Com o nosso filho gastávamos cerca de 750 euros mensais até aos 4 anos. Por muito que queiramos ter outro filho, estas contas não devem ser ignoradas, até porque o essencial dos nossos tempos é bem diferente do que era tido como essencial no passado. As frases "- É mais um bocado de arroz!" e "- Onde come um comem dois!" já não fazem qualquer sentido. Há, naturalmente, muitas coisas que podemos aproveitar do primeiro filho: a caminha, a cadeira da alimentação, mantinhas, roupas (mesmo quando os sexos são diferentes), brinquedos, etc., porém as despesas do dia a dia são as mais "pesadas" e devem ser contempladas na hora da decisão.

 

Teremos tempo para um segundo filho? Nos nossos dias, a vida profissional ocupa muito do nosso tempo. Há muitas profissões que "obrigam" os pais, não só a passar muito tempo no local de trabalho, mas também a trazer trabalho para casa, como é o meu caso. A par desta particularidade, há um conjunto de tarefas a realizar quando chegamos a casa que nos impedem de dar a devida atenção aos nossos filhos. Entre banhos, trabalhos de casa, jantar, tratar de roupas e preparar tudo para o dia seguinte, resta pouco tempo para brincarmos com os nossos filhos. E se já é difícil com um, com dois é tudo a dobrar!

 

3º O nosso filho aceitará bem a chegada do irmão? Esta foi uma questão determinante para nós. O nosso filho pedia incessantemente um irmão. Sabemos, contudo, que a chegada de um novo elemento gera ciúmes no primogénito e provoca uma posição territorial face aos pais e ao seu lugar na família. Acreditamos, no entanto, que o melhor presente que podemos dar a um filho é um irmão. Tudo se consegue gerir, com paciência e não deixa der um processo de aprendizagem para o mais velho, que terá de saber gerir a sua frustração.

 

4º Amaremos um segundo filho como amamos o primeiro? É um grande receio. Por vezes, estamos tão apaixonados pelo nosso filho, carregamos um amor tão imenso, que consideramos não ser possível amar outrem com a mesma intensidade. Quando descobri que estava grávida percebi, porém, que o amor não se divide, multiplica-se. Não tenho dúvidas que amarei a minha filha como amo  irmão. Já amo, de resto.

 

De facto, há muitos ajustes a realizar na vida de um casal e/ou de uma família quando chega um segundo filho. É um recomeço. Em boa verdade, quando equacionamos trazer uma criança ao mundo temos duas alternativas: ou refletimos muito bem sobre estas questões, centrando-nos nos constrangimentos, ou não pensamos de todo e deixamo-nos levar pelas coisas boas. Foi o que fizemos: pensar nos aspetos positivos de sermos mais um. Sentiremos, certamente, saudades das nossas viagens, de dormirmos a noite toda, de comermos fora sempre que entendermos, de nos centrarmos em nós e no nosso casamento...adiaremos alguns projetos... mas construiremos a família que sempre sonhamos. E temos amor de sobra para dar e isso é, indubitavelmente, o mais importante.