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No meu reino

Episódios de uma família como tantas outras

No meu reino

Episódios de uma família como tantas outras

I am Amesterdam

Dos lugares que mais adorei conhecer no velho continente foi Amesterdão! Para além de ser uma cidade linda de morrer, uma espécie de Veneza do norte, tem uma particularidade que para mim faz toda a diferença quando viajo: a simpatia do povo! Os holandeses são gentis, afáveis, simpáticos, bem-disposto, enfim podia continuar a enumerar adjetivos para elogiar estes anfitriões. 

A cidade, sendo relativamente pequena, tem muita oferta cultural: desde o museu de Van Gogh, um dos meus pintores favoritos, ao museu do sexo, há programas para todos os gostos. Destacaria, contudo, dois programas que, para mim, são obrigatórios numa visita a Amesterdão: 1) uma passagem pela casa-museu de Anne Frank, que me deixou com pele de galinha, confesso. A casa está exatamente como era no período da 2ª Guerra Mundial, só foram retiradas as mobílias por decisão de Otto Frank. Para quem, como eu, leu o diário, é uma visita muito emocional. É difícil não deixar cair as lágrimas quando chegamos à cave do museu e observamos alguns objetos que vieram dos campos de concentração e as fotografias que testemunham o que por lá se viveu. Lembro-me, particularmente, dos imensos pares de óculos e de umas botinhas de bebé. Doeu, ainda que tenha valido a pena; 2) um passeio de barco pelos canais, porque dá para ficar com uma ideia de toda a cidade e aprende-se muito sobre a cultura dos holandeses (o passeio tem o apoio de um audioguia). 

Numa visita a Amesterdão é, igualmente, imperdível comer uns belos crepes salgados e as famosas gaufres, simples ou com gelado, bem como o queijo gouda, que se vendem por todo o lado e são um reconforto para a alma. Para os mais arrojados, uma entrada numa coffee shop e um passeio noturno pelo bairro vermelho são, de igual modo, programas a considerar. Não entrei em nenhuma coffee shop, mas posso dizer-vos que a canabis grassa por tudo o que é alimento, até esparguete de canabis vi à venda. Em lojas específicas, naturalmente. Nas ruas, ninguém fuma, só mesmo nos locais específicos. Quanto ao "Red District", não resisti em conhecer, afinal é um dos motivos que tornaram Amesterdão tão conhecida! Posso dizer que esperava algo bem mais hardcore. Basicamente, são senhoras em lingerie e há para todos os gostos, mas tudo muito soft!

Mostrarei, um dia, esta cidade aos meus filho, certamente! Até lá, recordar é (re)viver!

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Lugares onde fui feliz...Tunísia

A Tunísia tem andado na boca do mundo e não é pelos melhores motivos, com muita, muita pena minha. Um lugar onde me senti tão segura...que fatalidade! O turismo já está a ser afetado, como se previa. Tudo causado pelo fanatismo de um lunático qualquer, que decidiu devastar a vida de tantos, pessoas inocentes que viram as suas vidas ceifadas num período em que tudo o que desejavam era passar bons momentos!

De facto, se há lugar onde fui realmente feliz foi na Tunísia!!! Visitei o país em maio de 2005, que foi, indubitavelmente, um dos melhores anos da minha vida. Estávamos em lua de mel! Escolhemos a Tunísia por vários motivos: fugir aos destinos clichés de lua de mel (temos a mania de não seguirmos com a "manada"); a duração da viagem (pouco mais de 2 horas), já que o marido só tirou 8 dias e não podíamos desperdiçar 2 dias só para chegar ao destino; o exotismo do país; o preço da viagem. Não poderíamos ter feito melhor escolha! Adorámos! 

Ficámos na zona balnear de Hammamet, um lugar lindíssimo, cheio de exotismo e de charme. Ainda hoje parece que sinto o odor da marginal, um misto de maresia, de especiarias e de doces, provenientes das várias tendinhas de gelados e nougats que há por todo o lado. Os doces foram, de resto, o que mais nos acalentou a alma em termos gastronómicos. O facto de não colocarem sal na comida e de todos os pratos saberem à mesma erva (que não conseguimos deslindar de que erva se tratava) não nos deixou deslumbrados com a cozinha do país. Já no que toca à pastelaria, tratando-se de uma ex-colónia francesa, os doces eram divinais, principalmente os do pequeno-almoço no hotel, que me fizeram encaixar 3 quilos numa semana! Em férias não entram dietas nem sacrifícios e este tipo de pecados têm mesmo de ser permitidos!!!

Mas nem só de experiências gastronómicas se fazem as viagens e a Tunísia tem muito para oferecer. Gostei particularmente de andar a camelo, um bicho simpático, mas algo fedorento, numa cáfila, rumo a uma povoação, onde pude vivenciar o quotidiano dos tunisinos e realizar muitas aprendizagens sobre a sua cultura. A noite tradicional que experimentamos deu-nos um cheirinho do melhor savoir faire tunisino: dança do ventre, faquires, encantadores de serpentes, muita tâmara, muito chá de menta, muita cachimbada! Ver o meu marido com uma cobra capelo a sair pela braguilha das calças também será algo que recordarei para todo o sempre. 

As excursões que fizemos a Tunes, a capital tunisina, e às ruínas de Cartago que restaram da invasão romana, foram experiências memoráveis, principalmente Cartago, que nos transportou para uma verdadeira viagem no tempo. Fundada por uma princesa fenícia, Cartago, cercada pelo azul do mediterrâneo, viu-se desde sempre enlaçada em lendas e gera no visitante uma vontade voraz de querer saber mais sobre o que por lá se passou. Uma das lendas (grega) reza que a princesa Dido terá chegado de Tiro, após o seu marido ter sido morto pelo irmão, e só lhe terá sido permitido comprar uma área de terra correspondente ao tamanho da pele de uma vaca. Assim, Dido terá cortado a pele em tiras finas e com elas delimitou um território suficiente vasto para fundar a cidade: Cartago. 

Sidi Bousaid, a terra do senhor, é outro local imperdível numa visita à Tunísia. Com uma arquitetura pintada de branco e azul, situada numa falésia sobre o mar e marcada por ruelas sinuosas, Sidi Bousaid é uma vila pitoresca, com uma paisagem de cortar a respiração, que faz lembrar as ilhas gregas e, simultaneamente, nos coloca num dos contos das mil e uma noites, tal o seu misticismo e exotismo. Perdi-me na sua beleza. Foi aqui, também, que reaprendi a apreciar chá, pois bebi o chá de menta mais delicioso que provei na vida.

Naturalmente que há um ou outro aspeto menos agradável face ao país. Tratando-se de um país muçulmano, um ocidental pode chocar-se facilmente com a forma como as mulheres são tratadas, mesmo as estrangeiras. Oferecerem Ferraris por mim ao meu marido não foi algo bonito de se ver, senti-me um mero objeto e compreendi melhor o que significa ser mulher para aquela cultura. Recordo, igualmente, a nossa chegada ao hotel, quando o bagageiro, vendo-me carregada com dois malões, passa por mim como se eu fosse transparente e vai ajudar o meu marido com as malas dele. Ou quando pagava qualquer coisa e davam o troco ao meu marido. Enfim, são questões culturais que exigem muita abertura de espírito. Ainda assim, voltaria à Tunísia, sem qualquer hesitação (mas não neste momento, confesso)!

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Memórias de Londres

Certo dia fiz um daqueles testes meio infantilóides que me mostrou que se eu fosse uma cidade seria Londres. Tenho de concordar! Londres tem tudo que ver comigo. Tem um lado romântico, elegante, nobre e clássico, sendo ao mesmo tempo uma cidade frenética, contemporâneo e edgy

Dizer que Londres tem um magnetismo próprio é um lugar-comum. É uma cidade que facilmente nos prende e que nos leva a querer voltar. Há tanta coisa para fazer em Londres, tantos must see e must do, que é difícil enumerar os locais de passagem obrigatória e as experiências que devemos viver numa visita à cidade. Acima de tudo, Londres prende-nos pela arquitetura e pelo cinzento lúgrebe que pinta o céu...prende-nos pelo sotaque e cavalheirismo sóbrio dos britânicos...prende-nos pela diversidade de povos e dos odores. Há, porém, locais apaixonantes, que nos transportam para coração da cidade, que vai muito além do Palácio de Buckingham ou do famoso Big Ben, típicos cartões de visita da cidade. Para mim, o pulsar de Londres sente-se em Nothing Hill, o bairro maravilhoso, outrora mal reputado, que chegou aos olhos do mundo com o filme da Julia Roberts e do Grant. Está no mercado de Portobello Road, onde se vê de tudo e se sente a cultura de rua, aquela que é mais genuína (e onde se fazem umas compras bestiais). Está nos muses da cidade, onde podemos passar dias inteiros, e nos espetáculos que tem para oferecer. Está na atmosfera das ruas, onde nem nos importamos de nos perder. Está em Covent Garden e nas melodias que nos carregam para tantos lugares. Está no Soho e no frenesim de Piccadilly Circus.  Enfim, é só deixar-nos levar.

Tenho saudades de Londres e confesso o meu desejo de viver um ano na cidade, com o meu bando, obviamente. Enquanto esse projeto não chega, fica a promessa de revisitar a cidade em breve e mostrar às minhas crias este sítio tão especial, onde os senhores usam chapéu de coco e nunca nos podemos esquecer de dizer "please!".

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Recordar Paris...

O que dizer de Paris? É uma senhora elegante, imponente e cheia de encantos!!! Um poema materializado, a cidade luz e do amor deslumbrou-me e deixou-me com vontade de lá voltar.

Conheci Paris em fevereiro de 2012. Não foi a melhor altura do ano para visitar a cidade, confesso, porque apanhei temperaturas de 13 graus negativos durante o dia e em uma das noites estava qualquer coisa como 26 graus abaixo de zero! Coisa pouca, portanto! O frio, assim como a chuva, pode estragar ou condicionar severamente uma viagem. Aconteceu-me não poder realizar algumas atividades que tinha planeado devido ao frio excessivo, como um passeio de barco pelo rio Sena ao final da tarde, por exemplo. Mas com camadas e camadas de roupa, que me fizeram sósia do boneco da Michelin, muito chocolate quente e chupar pastilhas de Strepfen como quem chupa rebuçados, deu para fazer o essencial.

Da experiência de Paris, destacaria os edifícios da cidade. Mesmo os prédios habitacionais são um espanto! Passei a compreender melhor a expressão "à grande e à francesa", porque, de facto, aqueles senhores tratam a elegância e magnitude por tu! Como diria o Dâmaso Salcede, é tudo "Chic a valer!" As montras das lojas e pastelarias também são um deleite para os olhos! Está tudo tão bem arranjado, dá mesmo vontade de passear pelas ruas! Os monumentos encontram-se, igualmente, bem apresentados e conservados. Adorei as charretes dos crepes que se viam por todo o lado e, claro está, ninguém resiste a um crepe com nutella e banana, à bela maneira "parisienne"! E as pontes de Paris??? Ai, as pontes de Paris!!! Pena que retiraram a ponte dos cadeados. Tinha guardado o meu para colocar com o meu amor numa próxima visita! Uma foto na parede do amor terá de bastar!

Não houve algo de que gostasse particularmente. Paris é um todo e foi esse todo que trouxe na memória. Recordo, contudo, com maior saudade a zona de Montmartre, um dos bairros mais encantadores e charmosos de Paris, onde se inspiram os pintores e se respira arte!

O que não me deixou, certamente, saudade foi a rudeza dos franceses. Tirando o porteiro do Ritz (não, não fiquei lá hospedada, com muita pena minha!), foram todos antipáticos e arrogantes! Os preços também são de fugir, mas Paris é Paris! Voltarei, desta vez com os meus príncipes!

 

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Lugares onde fui feliz...Praga

Uma das coisas que mais me custa em estar grávida e de cama é não poder viajar. Provavelmente, só poderei viajar para fora do país dentro de um ou dois anos. Não gosto muito de arriscar ir com bebés pequenos para fora do país, acho demasiado imprudente expo-los a riscos desnecessários. É certo, porém, que estou a ressacar deste meu vicio saudável. E como para mim é impensável viajar sem os meus filhos, resta-me fazer planos para o futuro e revisitar memórias.

Já tive, felizmente, oportunidade de conhecer grande parte dos destinos que queria mesmo conhecer. Como sou muito europeísta e cosmopolita, a generalidade foram cidades europeias, ainda que conheça alguma coisa fora do velho continente. Praga figurou, durante muito tempo, no meu top 3, uma viagem que fui adiando, adiando e adiando, até que, em 2013, lá fomos conhecer uma das joias da Europa.

Foi uma viagem a 3, tinha o meu príncipe 4 anos, depois de uma curta paragem em Milão, que ainda deu para o petiz ter um cheirinho de Itália, destino que amo de paixão. Marcámos a viagem para junho para fugir à loucura dos meses de verão e ao clima glaciar do inverno. Esperávamos, portanto, temperaturas amenas e um sol radiante. Porém, azar dos azares, dois dias antes da nossa partida, a cidade foi invadida pelas enxurradas que atingiram toda a Europa central e que quase nos levou a cancelar a viagem. As previsões de melhoria de tempo levaram-nos, contudo, a arriscar e...foi o melhor que fizemos! De facto, não fossem os sacos de areia junto ao rio e à famosa Charles Bridge, jamais conseguiríamos afirmar que a cidade tinha sido inundada há apenas 2 ou 3 dias atrás! Apanhámos uns chuviscos e um aguaceiro, mas ainda conseguimos ver Praga debaixo de um sol radioso. Pena ter sido apenas no último dia!

Praga correspondeu a tudo o que idealizei; é linda de morrer! A elegância dos edifícios, a beleza dos jardins, a cultura latejante, a abertura do povo, os mercados de rua, a atmosfera da cidade, os cheiros, o seu charme natural...enfim, a cada esquina, em cada rua que percorremos dá vontade de disparar o flash. Assim, não poderia concordar mais com o Travel quando a define como uma cidade que apresenta  uma espécie"chocolat box prettiness". Agradeço ao Kafka que deu o mote a esta viagem e me inspirou a conhecer a terra que o viu nascer!!!

E hoje acordei com saudades de Praga! E do trdelnik (bolo tradicional checo, em forma de rolo que mostro abaixo). Comia meia dúzia! As minhas gravidezes trazem-me destes desejos estranhos! Na gravidez do meu filho pensava a cada passo num croissant com chocolate e amendoins que comi em Barcelona! Coitado do pai das minhas crias se isto dos desejos fosse para levar a sério!

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