Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

No meu reino

Episódios de uma família como tantas outras

No meu reino

Episódios de uma família como tantas outras

Consulta das 36 semanas e boas notícias

Foi na 2ª-feira. Apanhamos um trânsito terrível de hora de ponta, com a via norte apinhada de carros, de gente que se dirigia para mais um dia de trabalho e que me trouxe uma certa nostalgia, confesso. Mexeste-te muito durante a viagem até à CUF, muito provavelmente por ter passado o tempo todo a "melgar" o avô por travar muito em cima do carro da frente! Começamos por fazer o ctg e, para não variar, ainda tiveste tempo de pregar uma partida à mamã e de me retirar a respiração, pois a enfermeira não conseguia apanhar as batidas do teu coração. Felizmente, era só uma questão de posição! E voltaste às tuas imensas acrobacias, que iam desviando o aparelhómetro e fazendo sorrir a mamã!!!

Mais tarde fomos visitar a nossa dra. MJM, que me achou serena e bem disposta, como, de facto, estou! Falámos um pouco e apresentei as minhas queixas, comuns à generalidade das mamãs em fim de tempo: inchaços, moeiras, pernas presas, calores, retenção de líquidos, etc., nada de especial, portanto. O importante é que estamos bem, tensões ok, contrações quase inexistentes, colo do útero e liquido amniótico dentro dos parâmetros normais, e peso ótimo, engordei 6 kgs apenas. E a mamã recebeu rasgados elogios pelo peso e por ter uma barriga muito bonita, palavras da GO. Coisas pequeninas que nos fazem sentir muito bem! De seguida, fomos ver-te: continuavas de costas, dentro do teu casulo. Aumentaste o teu peso para 3,069 gramas e estavas cheia de vitalidade. Depois de ver o teu coração e medir o fluxo do teu cordão umbilical eis que, entre medições, a dra. MJM exclama: " - A dilatação dos rins diminuiu!!!". Mediu duas vezes para confirmar. Ficamos mesmo felizes, é um resultado muito animador, ainda que tenhamos de ter todos os cuidados quando nasceres na mesma. Ainda assim, foi um momento de conquista e superação, que elevou muito o ânimo dos papás! 

Continuarás no teu T0 mais uns tempos!

35 semanas de gravidez

O bebé:

  • O bebé encaixa-se na pélvis e posiciona-se para nascer (embora nem sempre de cabeça para baixo).
  • O sistema gastrointestinal ainda é imaturo e permanecerá assim até 3 a 4 meses após o nascimento.
  • Os pulmões estão maduros e prontos para o nascimento.
  • Cerca de 15% do volume corporal consiste em reserva de gordura.
  • Consegue controlar e manter a temperatura do corpo.
  • O bebé recebe anticorpos da mãe que o protegem de infeções.
  • Começam a formar-se dobras nos cotovelos, joelhos, punhos e pescoço.
  • A placenta representa cerca de 1/6 do peso fetal.
  • O bebé já consegue sentir as carícias feitas no abdómen da mãe, que acha bastante reconfortantes e agradáveis. Massajar a barriga é uma forma muito especial de estabelecer contacto e comunicar com o seu filho

 

A mamã:

  • O seu corpo continua a preparar-se para o parto. 
  • A posição do bebé aumenta a pressão que exerce sobre os seus órgãos internos e a pélvis o que pode causar algum desconforto. A pressão sobre o estômago e os rins podem originar problemas de digestão e aumentar as idas ao WC.
  • O cansaço, as insónias e a ansiedade acumulam-se e aumentam progressivamente à medida que os dias passam e a data do parto se aproxima o que pode afetar a qualidade do sono e a sua disposição. Informe-se sobre o que é expectável acontecer durante o trabalho do parto para se preparar e antecipar questões. Converse com o seu médico sobre todas as dúvidas e questões que tiver. Partilhe as suas emoções com o seu companheiro e envolva-o neste processo.
  • O líquido amniótico renova-se de 3 em 3 horas.

 

Dicas:

  • A partir desta semana, deverá estar atenta aos movimentos fetais devendo registá-los no seu Boletim de Saúde da Grávida. Deve sentir o seu bebé a mexer pelo menos 10 vezes durante o período de 12 horas, a contar das 9 da manhã. Se não sentir movimentos durante 12 horas seguidas, pode ser um sinal de que o bebé está em sofrimento. Neste caso, deve dirigir-se o mais breve possível à Maternidade/Hospital para avaliação do bem-estar do bebé.
  • À medida que a data do parto se aproxima, poderá sentir alguma ansiedade em ter tudo pronto e começar a fazer listas de cabeça. O próprio parto também é motivo para se sentir mais apreensiva, especialmente se está grávida do seu primeiro filho. Aproveite as aulas de preparação para o parto para conversar com outras grávidas e para se informar como tudo vai acontecer. Prepare-se o melhor que puder. Se estiver bem informada sobre o processo físico do parto, enfrentará cada uma das fases com mais tranquilidade e segurança.
  • Os cinco sentidos do seu bebé já funcionam em pleno. Estimule-o através do toque, das massagens na barriga, da música, da sua voz. Apesar de parecer ainda muito cedo, a interação prematura é crucial para que o seu filho se desenvolva de forma saudável e emocionalmente equilibrado.
  • Se tiver um ou mais filhos, reserve alguns momentos para se sentar com eles. Acariciem a barriga, falem com o bebé, observem os seus movimentos. A promoção da ligação emocional dos irmãos com o bebé é fundamental para a sua futura integração no núcleo familiar e para que os irmãos se sintam parte ativa e seguros no acolhimento do novo membro da família.

In http://www.maemequer.pt/

Da consulta

Na segunda-feira foi dia de consulta. Foi uma consulta algo longa. Tinha muitas questões para colocar e a ecografia demorou mais do que o habitual, porque queríamos ver se estava tudo bem contigo. Levava um nó na garganta, um estado que nunca mais me abandonou desde o dia que descobrimos a tua hidronefrose. A mamã anda muito angustiada com esta questão, uma angústia que não consegue traduzir por palavras. Na verdade, tenho vivido os piores dias da minha vida e só espero por um final feliz para a nossa história. Foi no meio desta descompensação emocional que contei à nossa GO as coisas que tinha lido na internet, os problemas associados à hidronefrose e os possíveis cenários e levei uma espécie de raspanete!!! Por ter ido para internet, por pôr em causa todas as análises, inclusive o Harmony, por pensar em coisas más. De facto, a internet tem muita informação válida, mas precisamos de saber triar aquilo que lemos. A nossa dra. MJ acalmou a mãe e continuou a desvalorizar este problema, o que me tranquilizou ligeiramente...muito ligeiramente, porque só vou acalmar quando os nossos olhares se tocarem e vir que estás bem. Disse-me que este problema é mesmo muito frequente e, ainda que o ideal é que não houvesse nada que nos preocupasse, há muitas mães a quem gostaria de dar "apenas" essa notícia. 

Sei que sou uma mãe muito ansiosa, muito angustiada, mas não o sou levianamente. Uma gravidez que foi vivida de sobressalto em sobressalto, aliada à minha história de vida fez de mim a mãe que sou. A minha mãe perdeu a minha irmã aos 8 meses de gestação, uma irmã que era muito parecida comigo (a minha mãe quis vê-la) e que a deixou devastada. A minha mãe quase não sobreviveu. Tinha 4 anos e lembro-me perfeitamente da minha mãe deitada na cama, a chorar. São coisas que nunca se esquecem, mas que não quero lembrar...

Mas falemos sobre ti: a  dilatação do teu rim direito aumentou, infelizmente. Fiquei tão triste, tinha esperança que tivesse diminuído. O teu rim esquerdo permaneceu igual. De resto, estava tudo bem. Engordaste, cresceste e mexias-te bastante. Presenteaste-nos com a tua carinha, estavas totalmente de frente. Vimos-te a abrir a boca e a saborear o liquido, com a linguita de fora. Parecias um gatinho! Tens uma boquinha muito bem desenhada e um nariz muito fofinho! Ainda tentamos ver-te a 3D, mas o ecografo estava ocupado. Ver-te aqueceu-me o coração, minha bonequinha!

Para a semana voltaremos a ver-te, que a mamã passará a ter consultas semanais. Vamos continuar a acreditar que amanhã será melhor!

E hoje a mamã conseguiu não passar o dia todo a chorar. Espero que isso te faça sentir melhor, minha little C. Não quero que chegues aos meus braços tristinha. A tua felicidade é tudo para nós.

 

Às 27 semanas de gravidez...

...numa consulta de rotina descobri que tinha o colo do útero curto, com apenas 25 mm. Para quem desconhece, o colo do útero curto representa o perigo de um parto prematuro. A par deste brinde, estava cheia de contrações, de Braxton é certo, mas ainda assim contrações às 27 semanas nunca é de ignorar. Resultado: voltei à cama, à progesterona e ao magnésio.

Confesso que passei três dias inteiros a chorar, não me consegui controlar. Voltei a sentir pavor de a perder, de pensar que poderia ter problemas de saúde se nascesse tão prematura...questionei-me sobre o que estaria a fazer mal...deixei-me mergulhar na angústia de que sentiria dores físicas e emocionais de novo. Senti uma revolta imensa por não poder viver a minha gravidez. Senti uma culpa galopante por me sentir assim, por não controlar as minhas emoções e por estar a prejudicar a minha bebé com este estado de espírito. Acredito que o nome certo para o que tenho passado seja depressão...porque fabulamos que este estado de graça seja tudo flores, sorrisos e uma felicidade imensa. E deveria de ser! Todas as grávidas deviam ter o direito a uma gravidez tranquila! Não é, todavia, fácil conseguir ultrapassar o sentimento de impotência quando os problemas batem à porta e quando está em causa a vida do nosso bebé, que é a nossa também. Não o está a ser para mim, pelo menos. Vou procurando, contudo, ultrapassar esses sentimentos negativos, escolhendo ver o copo meio cheio e agarrando-me às coisas boas. Em boa verdade, aos 36 anos, e no meio de uma verdadeira rotina esquizofrénica, engravidei logo na primeira tentativa...de uma menina, que era um dos meus maiores desejos. Há mulheres que passam por situações desesperantes, porque não conseguirem engravidar e só posso dar-me por muito feliz por não ter de passar por tal dor.

Já fui, novamente, observada e o meu colo recuperou ligeiramente. Hoje faço 30 semanas e continuo quietinha, à espera que chegues...mas só daqui a 7 semanas, ok bebé C.?

O segundo trimestre da minha gravidez

A consulta de urgência às 12 semanas tranquilizou-me. Estava com hemorragias, mas a placenta estava colada e o bebé encontrava-se bem. Teria sido apenas uma inflamação do colo do útero, provavelmente provocada pela progesterona que introduzia diariamente. Ufa! Continuei de cama por mais 3 semanas e a partir daí fui, gradualmente, saindo da alcova. Com toda a paciência, comecei a levantar-me, a estar mais tempo sentada, a endireitar-me. Por volta das 19 semanas consegui fazer o jantar!!! Nunca tive tanta vontade de cozinhar!!!

De facto, o segundo trimestre foi o mais dourado e só me trouxe boas notícias. Os enjoos desapareceram por volta das 15 semanas e voltei a ter apetite. Estava faminta, apetecia-me comer de tudo. E comi, dentro daquilo que a minha não imunidade à toxoplasmose permitiu. Foi também às 15 semanas que fiz o Harmony, que confirmou os resultados do meu rastreio bioquímico e me tranquilizou face às trissomias. Este teste trouxe-me um outro presente: descobri que dentro de mim crescia uma menina! Fiquei tão emocionada. O meu instinto dizia-me que era uma menina e já na eco do 1º trimestre, que realizei ás 13 semanas, a médica deu-me o palpite de que seria uma menina. Agora não restavam dúvidas: podia pensar em tons rosa e passaria pela experiência de ser mãe de um rapaz e de uma rapariga!!! E nessa mesma semana comprei-lhe uma saia e um vestido! E fiz planos...vislumbrei as nossas memórias futuras...tudo o que quero viver com a mulher da minha vida...a minha filha!

Por volta das 18 semanas fiz a prova a glicose, que é um exame que me custa muito fazer, confesso. Aquele sabor agonia-me de um modo que ando enjoada dias. Os resultados não podiam, porém, ser melhores. Estava, finalmente, a viver a minha gravidez. Descentrei-me das dores e das preocupações e passei a focalizar-me no enxoval da bebé C. Uma vez por semana saía de casa para almoçar na casa dos meus pais. Estar em casa fechada esgota a paciência de qualquer alminha e naqueles pequenos momentos em que podia apanhar ar ganhava anos de vida. E foi assim ... até às 27 semanas... 

 

O primeiro trimestre da minha gravidez...a continuação

O descolamento da placenta atirou-me para a cama, com autorização para me levantar apenas para ir ao wc. Estava perfeitamente consciente do que me esperava. Do meu primeiro filho estive deitada até aos 4 meses de gestação. Conhecia já o pânico que uma mãe sente de perder o seu bebé. Chamava pelo nome as dores físicas e emocionais que atravessaria. Estava consciente da minha impotência. Teria de reviver todas essas emoções, que me roubariam a possibilidade de viver, verdadeiramente, a minha gravidez, pelo menos com a felicidade merecida. Procurei não ser melodramática, mas foi uma dura prova à minha resistência emocional.

 Recordo que ter de parar de trabalhar foi difícil para mim. Tinha começado um novo projeto profissional há 3 meses...o emprego pelo qual lutei estoicamente nos últimos anos da minha vida. Estava realizada, tinha encontrado o meu norte e visto o meu esforço e o investimento que fiz na minha formação académica recompensados. Nada se compara, porém, a um filho. Pagaria de novo esse preço, sem qualquer hesitação. Acredito que voltarei a ter outras oportunidades profissionais. Acredito também que nada me preencherá mais do que a família que estou a construir...porque a minha família é o meu maior projeto.

Voltando ao meu relato, os primeiros dias de repouso foram excruciantes. Tive dores horríveis nas costas, não conseguia encontrar uma posição minimamente cómoda e chegava a acordar de madrugada a agoniar. Precisava de ajuda para me levantar, não era capaz de andar numa posição reta, só andava amparada ou agarrada a uma parede. Assemelhava-me a uma velhinha de 80 anos. A hiperemese de que padeci também não ajudou nada. Não suportava odor algum, enjoei o detergente da roupa, o desodorizante, o meu perfume, a pasta de dentes, etc. etc. Sempre que me levantava sentia o espasmo para vomitar e cheguei a fazê-lo várias vezes. Tolerava pouco a comida. Resumindo, sentia-me um caco e estava completamente desfigurada.

Mas o tempo foi passando, as dores nas costas foram diminuindo e a placenta foi, lentamente, colando. Às 11 semanas colou totalmente e respirei de alívio, confesso. Acho que o nosso organismo é fantástico e adapta-se às circunstâncias mais improváveis. Mantive-me otimista e pensei que o pior teria passado. E foi com este espírito que completei as 12 semanas de gestação e o primeiro trimestre. E no final desse mesmo dia, em que celebramos esta conquista e os nossos medos se desprenderam, um novo susto trouxe-nos de novo à terra: hemorragias outra vez...

O primeiro trimestre da minha gravidez

O primeiro trimestre da minha gravidez foi vivido num misto de encanto e de perturbação.

A descoberta de que estava grávida chegou muito antes de qualquer exame. Eu já sabia que estava grávida...tinha enjoos, a ponto de ter de abrir as janelas do carro com um frio de morrer lá fora. E assim foi. No primeiro dia de atraso fiz o teste ao sangue e no final do dia tive o meu positivo. Confesso que não esperava engravidar logo na primeira tentativa, do irmão só foi à terceira e tinha 29 anos. Achei que era um bom indicador, estava tudo a correr bem. Assim, marquei a primeira consulta de obstetrícia, encantada com este presente que a vida me estava a dar. Contei os dias para esta consulta, não via a hora de ver o meu bebé pela primeira vez, ainda em forma de grão de arroz. O dia chegou e trouxe consigo o primeiro grande susto: tive um despiste de automóvel! No meio do aparato provocado pelo acidente eu só pensava no meu tesourinho...tive tanto medo de ter perdido o bebé! Felizmente, fui logo observada pela minha querida obstreta, que me informou que estava tudo bem! Já era valente!!! Nesse momento já vi o coração bater e a minha alma ficou cheia!!!

Depois deste episódio, às 6 semanas, fiquei em repouso, por prevenção. Passaram 6 dias e, tirando os enjoos, estava bem. Mas ao sétimo dia tudo mudou. Comecei com hemorragias. Pensei que desta vez estava mesmo tudo perdido! Desesperei! Foi dilacerante esperar pelo final do dia para que a minha obstetra me pudesse avaliar. Petrificada, tive tempo para pensar em tudo. Agarrei-me, porém, à história com final feliz do meu príncipe, que também me trouxe hemorragias às 6 semanas. Quando, finalmente, fui observada, o bebé estava bem, do tamanho de um feijão, com um coração que batia forte, mas a minha placenta tinha descolado e tudo podia acontecer...

Teste Harmony

 

Engravidar aos 36 anos trouxe-me algumas ansiedades. Sempre achei que numa segunda gravidez me tornasse bem mais relaxada. Não foi o caso. O medo de o meu bebé poder ter problemas de saúde face à minha idade fez-me, desde logo, pensar em fazer a amniocentese. Quando comecei a pesquisar sobre este exame descobri o Teste Harmony. O exame consiste em uma análise não invasiva ao sangue materno (retiram-nos um tubinho de sangue, como numa análise corriqueira)  que deteta as trissomias fetais mais comuns a partir das 10 semanas de gravidez. O Harmony Prenatal Test permite detectar as trissomias mais comuns, como a Trissomia 21, 18 e 13, bem como identifica o sexo do bebé. Achei fabuloso!

Falei dessa possibilidade à minha obstetra e, apesar de o resultado meu rastreio bioquímico apresentar valores de uma miúda de 20 anos e um risco reduzido, decidi fazer na mesma o Harmony, às 15 semanas. Por que motivo? Por se tratar de um diagnóstico mais seguro (99.9%) e por não querer passar o resto da gravidez a pensar nisso. Felizmente, o resultado (que chegou em 5 dias) veio negativo, com uma probabilidade de 0,01% e trouxe-me uma boa nova que aguardava com muita expectativa: é uma menina. Ficámos radiantes.

O único senão do teste é que a análise é feita nos Estados Unidos, logo o preço é elevado: paguei cerca de 500 euros. A maioria dos seguros não comparticipa (a ADSE reembolsa 100 euros), mas quem puder pagar aconselho, é um alívio.

 

P.S. - imagem retirada da internet

Ter ou não ter um segundo filho...eis a questão!

 

Muitas dúvidas assaltam um casal quando ponderam aumentar a família, principalmente num momento de crise como aquele que vivemos. Cá no reino também nos questionamos se seria sensato dar um irmão ao nosso filho. Tinhamos (e temos) muitas questões, que, acredito, sejam comuns a muitos pais, e que partilho em seguida:

 

1ª Teremos condições financeiras para ter outro filho? Quem já teve um filho sabe que um bebé acarreta muitas despesas. São os colégios, as fraldas, os cremes, as consultas, o carrinho, a caminha, a cadeira de refeição, as vacinas, as roupas, as atividades, etc. Com o nosso filho gastávamos cerca de 750 euros mensais até aos 4 anos. Por muito que queiramos ter outro filho, estas contas não devem ser ignoradas, até porque o essencial dos nossos tempos é bem diferente do que era tido como essencial no passado. As frases "- É mais um bocado de arroz!" e "- Onde come um comem dois!" já não fazem qualquer sentido. Há, naturalmente, muitas coisas que podemos aproveitar do primeiro filho: a caminha, a cadeira da alimentação, mantinhas, roupas (mesmo quando os sexos são diferentes), brinquedos, etc., porém as despesas do dia a dia são as mais "pesadas" e devem ser contempladas na hora da decisão.

 

Teremos tempo para um segundo filho? Nos nossos dias, a vida profissional ocupa muito do nosso tempo. Há muitas profissões que "obrigam" os pais, não só a passar muito tempo no local de trabalho, mas também a trazer trabalho para casa, como é o meu caso. A par desta particularidade, há um conjunto de tarefas a realizar quando chegamos a casa que nos impedem de dar a devida atenção aos nossos filhos. Entre banhos, trabalhos de casa, jantar, tratar de roupas e preparar tudo para o dia seguinte, resta pouco tempo para brincarmos com os nossos filhos. E se já é difícil com um, com dois é tudo a dobrar!

 

3º O nosso filho aceitará bem a chegada do irmão? Esta foi uma questão determinante para nós. O nosso filho pedia incessantemente um irmão. Sabemos, contudo, que a chegada de um novo elemento gera ciúmes no primogénito e provoca uma posição territorial face aos pais e ao seu lugar na família. Acreditamos, no entanto, que o melhor presente que podemos dar a um filho é um irmão. Tudo se consegue gerir, com paciência e não deixa der um processo de aprendizagem para o mais velho, que terá de saber gerir a sua frustração.

 

4º Amaremos um segundo filho como amamos o primeiro? É um grande receio. Por vezes, estamos tão apaixonados pelo nosso filho, carregamos um amor tão imenso, que consideramos não ser possível amar outrem com a mesma intensidade. Quando descobri que estava grávida percebi, porém, que o amor não se divide, multiplica-se. Não tenho dúvidas que amarei a minha filha como amo  irmão. Já amo, de resto.

 

De facto, há muitos ajustes a realizar na vida de um casal e/ou de uma família quando chega um segundo filho. É um recomeço. Em boa verdade, quando equacionamos trazer uma criança ao mundo temos duas alternativas: ou refletimos muito bem sobre estas questões, centrando-nos nos constrangimentos, ou não pensamos de todo e deixamo-nos levar pelas coisas boas. Foi o que fizemos: pensar nos aspetos positivos de sermos mais um. Sentiremos, certamente, saudades das nossas viagens, de dormirmos a noite toda, de comermos fora sempre que entendermos, de nos centrarmos em nós e no nosso casamento...adiaremos alguns projetos... mas construiremos a família que sempre sonhamos. E temos amor de sobra para dar e isso é, indubitavelmente, o mais importante.