Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

No meu reino

Episódios de uma família como tantas outras

No meu reino

Episódios de uma família como tantas outras

Nova consulta e novo aperto no coração...

Desde o início da gravidez que por cada consulta em que tenho boas notícias se segue uma outra que traz novas preocupações. E se na última consulta tive a boa notícia de que o meu útero tinha recuperado (passou de 25 mm para 33 mm), o que foi uma excelente novidade, não estava nada preparada para as revelações da consulta ontem. E eu que já tinha tido uma tarde de domingo para esquecer...com descargas intestinais que só acalmaram com a bendita coca-cola!!! Fizeram, porém, imensos estragos pelo caminho...dos quais o pudor me impedirá de falar! Mas foi muito mau. 

A consulta começou bem. A pequena já está em posição cefálica, pesa cerca de 1830 gr. e mede 42 cm, aproximadamente. Para não variar, estava de costas, mas foi mais curiosa do que das restantes vezes e ainda se virou ligeiramente, permitindo um vislumbre do seu rosto. Pareceu-me que tem uma estrutura de rosto muito semelhante à do irmão. Espero que se confirme, o meu filho é muito bonito (não, não é só o amor de mãe a falar!). Conseguimos ver claramente que já tem cabelo! É tão engraçado ver o cabelito a "nadar"!!! Fiquei, ainda, a saber que o meu colo piorou ligeiramente e passou a medir cerca de 30 mm, o que é normal dado o avançar da gravidez. O liquido amniótico está ótimo (no 2º trimestre estava ligeiramente aumentado), facto que me tirou alguns macaquinhos do sótão. As minhas tensões estão, igualmente, boas e, quase a chegar às 32 semanas, engordei apenas 3 kgs. Isto seria uma boa notícia (para quem engravidou a pesar 63 kg) se não tivesse perdido 1 kg nas últimas 3 semanas. Tenho comido bem e estou convencida de que a tarde de domingo terá culpa no cartório face a esta perda de peso. Como a bebé engordou 700 gramas nestas 3 semanas, não fiquei muito preocupada com esta questão. 

Já no final da eco, a minha GO começou por me dizer que tinha de me falar sobre o rim da pequena. Avisou-me logo para não ficar preocupada, que se tratava apenas de uma questão de zelo. Escusado será dizer que fiquei logo com o coração a mil. Explicou-me que a minha little C. tem um dos rins ligeiramente dilatado, uma situação relativamente comum, porém mais frequente nos meninos. Naturalmente, quis logo saber quais as implicações e possíveis tratamentos. A GO explicou-me que a situação carece de acompanhamento e vigilância nas minhas próximas ecos e, se se mantiver (em alguns casos os bebés resolvem este problema até ao final da gestação), nos primeiros dias de vida a minha bebé terá de realizar uma ecografia aos rins. Confirmando-se a dilatação, terá de tomar antibióticos até ao final do primeiro ano de vida, sendo este o melhor cenário. Ainda questionámos se não havia nada que pudéssemos fazer nesta fase e a médica informou-nos que, durante a gravidez, não há nada a fazer, só nos resta esperar. 

Fiquei muito apreensiva com a notícia, mas mantive a compostura naquele momento. Só no final do dia é que a bomba explodiu dentro de mim. Só me perguntava por que motivo isto me estava a acontecer, depois de tudo o que tenho passado. Sou uma grávida tão disciplinada, tão zelosa, cumpro tudo à risca. Recordei-me das palavras da GO que me garantiu que esta situação não dependeu de nada que eu tivesse feito, mas confesso que me sinto sempre mal comigo mesma perante estas situações. Invadiu-me todo o tipo de pensamentos, dramatizei tudo ao expoente máximo e quando dei por mim chorava copiosamente. Só me acalmei quando o meu marido me pegou na mão e me disse que ia correr tudo bem, que tudo não passaria de um susto. Mas eu conheço-me. Se até então vivia triste e amargurada, agora que sei que a minha bebé está com um problema não sei como vou lidar com esta angústia imensa, que me aperta a garganta e já me tirou o sono. Sei que o meu marido tem razão quando me diz que o melhor que posso fazer por ela é não ficar como estou e pensar positivo. Este estado de alma não ajuda nada...mas eu sou Peixes, emocional da ponta dos pés à ponta dos cabelos...e passo o dia deitada e com todo o tempo do mundo para pensar neste assunto. Terei, todavia, de resgatar o meu lado bom, aquele que acredita em finais felizes, que não desiste de ter esperança sob hipótese alguma. Porque uma mãe é feita de cristal e de ferro! Ontem fui de cristal, mas hoje serei de ferro...por ti ... e por nós! Vou acreditar que recuperarás e que tudo correrá pelo melhor...porque nós merecemos.

Outra notícia menos boa é que terei de passar por outra cesariana. Tem um perimetro cefálico grande, como o irmão, que também por esse motivo nasceu de cesariana. Quando nasceu ninguém diria que era cabeçudito, mas...as coisas são o que são. Este dado, aliado ao facto de eu ter tido um pequeno AVC, nada de grave e que não deixou sequelas à parte do print que deixou no meu cérebro, inviabilizam o parto vaginal. A GO acha que não vale a pena corrermos riscos desnecessários, mas confesso a minha pena de não passar po um parto sem hora marcada. Recuperei bem da cesariana do meu filho e no dia a seguir ao parto já o amamentava sentada com as pernas à chinês (e a madre ia tendo um treco quando me viu a fazer isto! Mal a minha GO chegou fez-lhe logo o relatório!). Contudo, acredito que a nossa animalidade sabe o que faz e que o parto natural prepare melhor o bebé para chegar ao mundo! Como diz o povo, o que tem de ser tem muita força e já me mentalizei que será por cesariana e não se pensa mais no assunto.

E foi assim, uma consulta em que achava que tudo estaria melhor, que os sacrifícios que tinha feito teriam surtido efeito, em que a GO me reduziria a medicação e me daria ordem de soltura. Pelo contrário, é para manter tudo e ainda vou ter de tomar um medicamento para a circulação sanguínea até ao final desta viagem. Perante o restante, isto é o de menos.

Neste fim de semana realizarei a eco do 3º trimestre. Estou com o coração apertadinho, do tamanho de uma noz. Esperarei, todavia, por boas notícias!