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No meu reino

Episódios de uma família como tantas outras

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Lugares onde fui feliz...Tunísia

A Tunísia tem andado na boca do mundo e não é pelos melhores motivos, com muita, muita pena minha. Um lugar onde me senti tão segura...que fatalidade! O turismo já está a ser afetado, como se previa. Tudo causado pelo fanatismo de um lunático qualquer, que decidiu devastar a vida de tantos, pessoas inocentes que viram as suas vidas ceifadas num período em que tudo o que desejavam era passar bons momentos!

De facto, se há lugar onde fui realmente feliz foi na Tunísia!!! Visitei o país em maio de 2005, que foi, indubitavelmente, um dos melhores anos da minha vida. Estávamos em lua de mel! Escolhemos a Tunísia por vários motivos: fugir aos destinos clichés de lua de mel (temos a mania de não seguirmos com a "manada"); a duração da viagem (pouco mais de 2 horas), já que o marido só tirou 8 dias e não podíamos desperdiçar 2 dias só para chegar ao destino; o exotismo do país; o preço da viagem. Não poderíamos ter feito melhor escolha! Adorámos! 

Ficámos na zona balnear de Hammamet, um lugar lindíssimo, cheio de exotismo e de charme. Ainda hoje parece que sinto o odor da marginal, um misto de maresia, de especiarias e de doces, provenientes das várias tendinhas de gelados e nougats que há por todo o lado. Os doces foram, de resto, o que mais nos acalentou a alma em termos gastronómicos. O facto de não colocarem sal na comida e de todos os pratos saberem à mesma erva (que não conseguimos deslindar de que erva se tratava) não nos deixou deslumbrados com a cozinha do país. Já no que toca à pastelaria, tratando-se de uma ex-colónia francesa, os doces eram divinais, principalmente os do pequeno-almoço no hotel, que me fizeram encaixar 3 quilos numa semana! Em férias não entram dietas nem sacrifícios e este tipo de pecados têm mesmo de ser permitidos!!!

Mas nem só de experiências gastronómicas se fazem as viagens e a Tunísia tem muito para oferecer. Gostei particularmente de andar a camelo, um bicho simpático, mas algo fedorento, numa cáfila, rumo a uma povoação, onde pude vivenciar o quotidiano dos tunisinos e realizar muitas aprendizagens sobre a sua cultura. A noite tradicional que experimentamos deu-nos um cheirinho do melhor savoir faire tunisino: dança do ventre, faquires, encantadores de serpentes, muita tâmara, muito chá de menta, muita cachimbada! Ver o meu marido com uma cobra capelo a sair pela braguilha das calças também será algo que recordarei para todo o sempre. 

As excursões que fizemos a Tunes, a capital tunisina, e às ruínas de Cartago que restaram da invasão romana, foram experiências memoráveis, principalmente Cartago, que nos transportou para uma verdadeira viagem no tempo. Fundada por uma princesa fenícia, Cartago, cercada pelo azul do mediterrâneo, viu-se desde sempre enlaçada em lendas e gera no visitante uma vontade voraz de querer saber mais sobre o que por lá se passou. Uma das lendas (grega) reza que a princesa Dido terá chegado de Tiro, após o seu marido ter sido morto pelo irmão, e só lhe terá sido permitido comprar uma área de terra correspondente ao tamanho da pele de uma vaca. Assim, Dido terá cortado a pele em tiras finas e com elas delimitou um território suficiente vasto para fundar a cidade: Cartago. 

Sidi Bousaid, a terra do senhor, é outro local imperdível numa visita à Tunísia. Com uma arquitetura pintada de branco e azul, situada numa falésia sobre o mar e marcada por ruelas sinuosas, Sidi Bousaid é uma vila pitoresca, com uma paisagem de cortar a respiração, que faz lembrar as ilhas gregas e, simultaneamente, nos coloca num dos contos das mil e uma noites, tal o seu misticismo e exotismo. Perdi-me na sua beleza. Foi aqui, também, que reaprendi a apreciar chá, pois bebi o chá de menta mais delicioso que provei na vida.

Naturalmente que há um ou outro aspeto menos agradável face ao país. Tratando-se de um país muçulmano, um ocidental pode chocar-se facilmente com a forma como as mulheres são tratadas, mesmo as estrangeiras. Oferecerem Ferraris por mim ao meu marido não foi algo bonito de se ver, senti-me um mero objeto e compreendi melhor o que significa ser mulher para aquela cultura. Recordo, igualmente, a nossa chegada ao hotel, quando o bagageiro, vendo-me carregada com dois malões, passa por mim como se eu fosse transparente e vai ajudar o meu marido com as malas dele. Ou quando pagava qualquer coisa e davam o troco ao meu marido. Enfim, são questões culturais que exigem muita abertura de espírito. Ainda assim, voltaria à Tunísia, sem qualquer hesitação (mas não neste momento, confesso)!

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